Diversão & Arte
"A gente não quer só comida". Titãs
sexta-feira, 18 de março de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
Que País é Esse?
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Álvaro Dias: "será mais fácil fazer oposição"
O Brasil acordou em 1 de novembro com uma nova presidente. A 40ª na história republicana, primeira mulher a governar o país.
Alegria para mais de 55% dos eleitores, inconformismo para os setores derrotados. Na TV, o senador Álvaro Dias afirma que será muito mais fácil fazer oposição a Dilma Rousseff do que ao presidente Lula, já que ela não conta com “o preparo e a inteligência” daquele. Pode até ser verdade. No entanto, há algo mais importante no ar que ainda não foi devidamente captado pela oposição: a época da política arrogante passou.
Luis Inácio Lula da Silva governou com humildade, buscando contato direto com o povo, ouvindo seus anseios, fazendo o possível para oferecer respostas objetivas ao que lhe era solicitado. O povo precisa de comida? Dê-lhe Bolsa Família. Precisa de moradia? Dê-lhe Minha Casa, Minha Vida. Deseja estudar? Dê-lhe Prouni. Está no escuro? Dê-lhe Luz Para Todos. Ao invés de elucubrações complicadas (conversa para boi dormir) típica de quem acha que pode levar o povo na lábia, respostas objetivas. Foi justamente por se voltar para os pequenos que Lula se tornou grande internacionalmente – estatura que tende a crescer ainda mais se o governo da presidente Dilma for bem sucedido. Se não, resta a possibilidade dele retornar em 2014.
A oposição se perdeu em falatórios e guerra de egos. Aécio Neves é acusado de ter feito “corpo mole” durante a campanha em MG – acusação evidenciada pelo fato do estado ter elegido Dilma Rousseff. Álvaro Dias, que amanheceu na segunda-feira cantando de galo, dias atrás chorava pitangas por ter sido preterido para o posto de vice na chapa de Serra. “Eu fui traído desde o primeiro momento no Paraná pelo meu partido”, afirmou ao IG em 29 de setembro. A história mostra que a arrogância desta agremiação vem de longe: em 2006 o então candidato à presidência Geraldo Alckmin foi abandonado pelo atual derrotado José Serra, por Aécio Neves, por Tasso Gereissati, por FHC e pelo próprio Álvaro Dias, fato que lhe custou (e ao partido, obviamente) uma acachapante derrota com o cruel requinte de obter menos votos no segundo turno do que havia alcançado no primeiro. Em 1984 Fernando Henrique (então no PMDB) tinha tanta certeza da vitória que se deixou fotografar como prefeito de São Paulo antes mesmo das eleições. Acabou perdendo para Jânio Quadros.
O fato é que, por falta de discurso, a oposição se torna medíocre e transforma o debate político em guerra de comadres. Os avanços sociais do governo Lula não deixaram migalhas para a oposição que governou durante 8 anos como se não houvesse pobres no Brasil e respondia os anseios populares com erudição vazia. Isso não funciona mais, pois qualquer analfabeto já se deu conta de que a lógica neoliberal do estado mínimo não enche barriga.
Esta oposição carece de discurso e de rumo. A menos que consiga abandonar a postura arrogante e aprender com os próprios erros, seguirá derrotada por muitos anos - talvez mais uma década.
Já vai longe o tempo em que o presidente da República podia declarar que preferia o cheiro de seus cavalos ao do povo – como o fez o general João Baptista Figueiredo. Só que ele não dependia do povo para ser presidente. Quem depende do voto popular, ou supera a arrogância ou continua derrotado.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Rapaz denuncia quem teria jogado objeto em José Serra
Com a condição de sigilo, um rapaz afirmou que a bolinha de papel que atingiu o candidato José Serra foi atirada pelo coordenador da campanha do tucano, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Segundo a fonte, Guerra queria chamar a atenção do candidato mas não conseguia, por causa da distância. Decidiu então amassar um bilhete que trazia no bolso e arremessar em José Serra. Assista o vídeo da reportagem feita pelo SBT e reproduzida no Youtube.
Guerra ficou profundamente preocupado, por saber que Serra tem miolo mole e que nada pode atingir sua cabeça, pois ele sente tonturas e náusea. No entanto, em seguida ficou ficou aliviado ao perceber que nada tinha acontecido ao candidato, mas a tranquilidade durou apenas 20 minutos. Um manifestante do PT ligou para o ex-governador e o avisou que ele tinha sido atingido. “Foi pura maldade! Só para prejudicar o Serra”, revolta-se o informante. “Ele nem tinha percebido, mas aí vem esse mau caráter e avisa e o candidato começou a passar mal”.
O boletim médico divulgado hoje de manhã informa que o candidato continua abilolado.
MENTIRA POR MENTIRA, PREFIRO A MINHA.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Marina... você se pintou?
Maurício Abdalla*
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.
* Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), entre outros.
domingo, 3 de outubro de 2010
A Origem: um filme para abalar convicções
Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão de sonhos, reconhecido como o melhor de todos. Ele domina com maestria a perigosa arte de invadir sonhos alheios para arrancar informações que podem valer milhões de dólares no competitivo mercado das grandes corporações.
O pedido de um cliente, no entanto, é considerada uma empreitada arriscadíssima até para o experiente Cobb. Ao invés de roubar informações, ele precisará mergulhar nos sonhos do magnata da área energética Robert Fischer (Cillian Murphy) para plantar uma ideia que posteriormente resultará em decisões que interessam ao contratante. Para isso, ele precisará explorar profundamente a psique da vítima, invadindo sonhos após sonhos, um dentro do outro, até um nível seminal no qual a semente possa ser lançada.
Cobb só aceita o risco porque receberá como recompensa a possibilidade de se reunir novamente aos filhos nos EUA, de onde fugiu por causa da acusação de ter matado a própria esposa Mal (Marion Cotillard).
Dom Cobb não age sozinho. Sobre os demais personagens, vale a pena ler duas postagens em blogs: o Saindo da Matrix (clique) faz uma interessante exegese dos nomes dos personagens; já o The World Is Garbage! (clique) analisa os personagens na perspectiva dos arquétipos junguianos.
É deliciosamente perturbadora a dúvida que Christopher Nolan semeia com seu festejado filme: qual é a origem das nossas convicções? Pode ser perturbador nos darmos conta de que algumas das nossas crenças mais firmes resultam de intervenções (na psicanálise, a condução do fluxo de pensamentos por outrem) efetivadas pela família, pela igreja, pela escola, pelo Estado, pelo discurso hegemônico dos meios de comunicação etc. Por outro lado, é delicioso ser lembrado que nossas certezas podem não ser assim tão certas, o que nos desobriga de cumpri-las ao pé da letra.
A Origem é um filme antológico repleto de efeitos especiais absolutamente necessários, diferentemente do que se vê frequentemente nas produções hollywoodianas.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
A pieguice de Vik Muniz
Embora diferente, a ideia é simples: mostrar o verso de obras célebres como “Les Demoiselles d’Avignon”, de Picasso, “Starry Night”, de Van Gogh, “Samba”, de Di Cavalcanti e “O Abaporu”, de Tarsila do Amaral, entre outras, devidamente identificadas com inscrições à mão e etiquetadas pelos museus onde já foram expostas. Não contente com a esquisitice de mostrar apenas o dorso das obras famosas, o artista o faz apresentando reproduções.
Desde que Duchamp levou urinol e roda de bicicleta para dentro das galerias, as artes visuais encontraram uma nova expressão – tridimensional e desvinculada da representação formal. Ocorre que Duchamp era um tirador de sarro que certamente rola de rir na tumba com a “pagação de pau” das plateias compenetradas diante de seu urinol-arte – como tive oportunidade de presenciar na exposição comemorativa dos 60 anos do MAM de São Paulo, ocorrida em 2008. “Banalizaram a arte!”, gritava o urinol de Duchamp para a sociedade da época. Pois a atual consegue ser pior, sacralizando banalidades.
Vik Muniz ficou conhecido nos anos 1990 por utilizar materiais inusitados para reproduzir imagens consagradas, como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, reproduzida com pasta de amendoim, e obras de Monet reproduzidas com açúcar mascavo. Quem adquire as “obras” leva para casa apenas a reprodução fotográfica das mesmas. Ou seja, o festejado artista vende reproduções de reproduções.
Ao apresentar cópias (muito bem acabadas) do verso das obras, Muniz propõe trocar a fruição estética pela atitude consumista, reforçando o primado do objeto sobre o conceito, do tangível sobre o intangível, do palpável sobre o abstrato, da embalagem sobre o conteúdo. Exibir a caixa de jóias no peito é piegas, todos hão de convir, da mesma forma como talvez concordem que é piegas a mostra de Vik Muniz.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
McDonald’s e Franz Kafka: tudo a ver
O desejo por sorvete não combinava com o clima. Chá quente ou capuccino era o que o vento gelado recomendava, mas queríamos sorvete.
Entramos no McDonald's e constatei aliviado que estava vazio. O balcão de sorvetes perto da entrada permite fazer pedidos tanto de dentro da loja, onde estávamos, como do lado de fora, onde há uma simpática varanda. Fizemos o óbvio: dirigimo-nos à atendente e pedimos pelo número.
– Senhor, só posso te atender pelo lado de fora.
– Ãhh?!?!
– O senhor tem que ir do lado de fora da loja, para fazer o pedido.
– Como assim?
– Não posso te atender por aqui. O senhor precisa sair da loja e dirigir-se à varanda, para fazer o pedido.
– Mas moça, aqui há um balcão, eu estou te vendo e você me vê, estamos um ouvindo o outro. Não posso fazer meu pedido?
– Por aqui, não. A câmera não deixa.
– Câmera? Que câmera?
– Aquela ali. Ela está ligada e eu não posso te atender por aqui.
– Mas...
Solenemente, a atendente me deu as costas e chamou: – Próximo!
Era a cena do mês. A mais esquisita.
– Moça, por favor. Eu ainda não entendi. Por que preciso sair da loja para ser atendido?
Visivelmente irritada, ela me ignorou.
Eu não sou chato. Resignado, saí para o frio e fui até à parte externa do balcão. Foram pedidos milk shakes, sundaes e outras delícias padronizadas. Para mim, apenas uma casquinha mista, de chocolate e creme.
– Aqui só temos creme. Se o senhor quiser chocolate, terá que pedir no balcão principal.
– Aquele que fica dentro da loja?
– Isso mesmo. Qual sabor o senhor vai querer?
– Quero casquinha mista, de chocolate e creme.
– Aqui só temos creme.
– Lá dentro tem misto?
– Não. Lá só tem chocolate.
– Ãhhhh?!?!
– Sim. Aqui só tem creme. Lá dentro, só chocolate. Qual o senhor vai querer?
– Quero os dois juntos. Misto, entende?
– Não tem.
– Mas está no cardápio.
– Eu sei, mas não tem. Qual o senhor quer?
– Puxa, moça. Está difícil. Eu queria misto.
– Então o senhor decide enquanto atendo outro cliente. Próximo!
– Já decidi, moça. Me dá qualquer um que você tiver aí.
– Qual?
– Qualquer um.
– O senhor tem que dizer. A câmera está ligada e o senhor tem que falar qual é o seu pedido.
– Tá bom. Eu quero de creme. É esse que tem aqui fora ou é o de lá de dentro?
– Não. Creme é aqui mesmo. São R$ 1,50. Algo mais?
– Só isso. Aliás, mais uma pergunta: depois que comprar o sorvete eu posso entrar na loja para tomar lá dentro? Aqui está frio.
– Pode.
Se você aí lembrou de Franz Kafka, acertou na mosca. Sendo mais específico, na barata, pois o asqueroso ser que surgiu do nada e começou a passear livremente pelo chão da lanchonete, como se conferisse o "bom" atendimento dado à clientela, parecia saído do romance Metamorfose (download gratuito). Rapidamente saquei o celular com a intenção de fotografar a ilustre presença, mas ele é uma péssima câmera fotográfica. Fico devendo o registro.
domingo, 4 de outubro de 2009
Falta alma ao Ballet de Marseille
Frédéric Flamand, diretor e coreógrafo do grupo, foi convidado pelo governo francês para assumir o Ballet de Marseille depois de uma bem sucedida trajetória à frente da companhia belga Plan K, fundada por ele próprio. Posteriormente, assumiu a direção do Ballet Royal de Wallonie, que rebatizou para Charleroi/Danses. O texto de apresentação do espetáculo informa que Flamand gosta de explorar o espaço e a arquitetura em suas coreografias, o que fica evidente no espetáculo Métamorphoses apresentado no Teatro Alfa de São Paulo, em curta temporada de 2 a 4 de outubro. Na primeira parte, uma representação do começo da vida e de seu desenvolvimento, com toda a sua complexidade, seus dilemas e crises. Na iluminação, predomina um asséptico branco. Em seguida, uma fase industrial, com sons mais pesados, pouca iluminação e cores vibrantes nos figurinos, formando o ponto alto do espetáculo juntamente com a fase seguinte, tecnológica. Cenários e figurinos são assinados pelos irmãos designers brasileiros Humberto e Fernando Campana.
De fato é um belo espetáculo que, provavelmente, cativou muitas plateias na Europa. Entretanto, na terra do samba, é preciso mais que coreografia perfeita e figurinos modernos para conquistar as plateias. É preciso dançar com o corpo e com a alma.
Em tempo: a apresentação do Ballet National de Marseille faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil.
domingo, 8 de março de 2009
Ah!, Maria Rita

Firmar-se como cantora sendo filha de Elis Regina não deve ter sido tarefa das mais fáceis. As comparações com a mãe são inevitáveis e o muxoxo da turma do cotovelo doído, acusando favorecimento das gravadoras à jovem cantora, deve ter tornado ainda mais áspero o início da carreira no começo da década de 2000. Atualmente, nada disso a afeta mais. Ela esbanja talento com uma voz afinadíssima e com exuberante presença de palco. Isso sem falar nas roupas provocantes da Maria Rita...
As apresentações ocorridas de 5 a 8 de março fazem parte do lançamento do DVD “Samba Meu” que, além de composições inéditas, traz músicas já consagradas na voz da cantora, como “Cara Valente”, “Encontros e Despedidas” e “Caminho das Águas”. Nestas, o público não se contém, forma um grande coral e no fim do show metade da plateia está em pé nas laterais do anfiteatro sambando em obediência ao apelo dos compositores Edson e Aluísio: “Não deixe o samba morrer / não deixe o samba acabar / O morro foi feito de samba / De samba pra gente sambar”. Isso sem falar no rebolado da Maria Rita...
Como se vê, o samba não morreu. Apenas ocupou espaços antes impensáveis e conquistou novos adeptos: desceu o morro para se instalar em palcos sofisticados e encantar platéias da classe média e da intelectualidade. É para este público, especificamente, que Maria Rita se apresenta. O morro, pobre morro, não pode vê-la cantando que “O morro foi feito de samba”. Isso sem falar nas coxas da Maria Rita...
domingo, 21 de dezembro de 2008
Os Bandidos, de Schiller, no Teatro Oficina
Ontem comecei a voltar à vida. Primeiro dia de férias, pós-graduação (lato sensu) concluída, aprovado para o mestrado em 2009, pude voltar a fazer algo que gosto muito: observar a cena cultural paulistana.
Decidi começar pelo Teatro Oficina, que conheço de longa data. A ocasião era propícia, pois tratava-se do último fim de semana da peça Os Bandidos, de Friedrich Schiller, com direção, obviamente, de José Celso Martinez Correa e encenação do grupo Uzyna Uzona. A motivação a mais encontrei no ótimo texto do ator Pascoal da Conceição (Castelo Rá-Tim-Bum), publicado na Folha desta semana – não me lembro o dia – sobre o espetáculo.
Não vou gastar adjetivos falando sobre o Oficina. O que penso sobre Zé Celso e o seu teatro estão resumidos num breve ensaio publicado no meu outro blog. Confira.
Já o espetáculo... esse é difícil descrever. Definir então, pior ainda. À complexidade do texto e da montagem, some-se as 6 horas de duração da peça. A expressão que me vem com mais força é hard core, embora certamente não seja a mais adequada. Do ponto de vista formal, o texto de Schiller faz parte do Sturm und drang, movimento alemão que se opôs ao iluminismo racional do século XVIII propondo uma literatura selvagem e primitiva – espontânea, acima de tudo –, do qual Schiller e Goethe são os principais representantes. No Oficina, assimilado e reinventado (antropofagiado) pelo modernista tardio Zé Celso, o Sturm und drang virou strumedomangue.
A encenação começa na rua, antes de os portões do Teatro serem abertos. Os atores vêm para fora cantando e dançando, dão as mãos a quem estiver por perto e formam uma imensa roda que impede o trânsito. Os carros começam a buzinar impacientes, mas ninguém se incomoda. A única preocupação da trupe é criar sintonia com a platéia e prepará-la para a profusão de emoções que se seguirá. A cantora Céllia Nascimento, paramentada de pomba-gira, entoa com ótima voz:
“Exu é duas cabeças
Ele olha sua banda com fé
Uma é Satanás no inferno
A outra é Jesus de Nazaré”
O aviso está dado. Daí para adiante, quem entra no recinto o faz por conta e risco próprios. Mas ninguém vai embora.
Adaptado para, mais uma vez, denunciar a luta entre o Oficina e o grupo Sílvio Santos, vizinhos de calçada que vivem uma rixa de décadas, o enredo apresenta um decadente magnata da TV que vive o drama de ter um filho renegado e chefe de bando, Damian, e outro, Cosmus, ambicioso ao ponto de tramar a morte do pai. Aparentemente, uma história banal. Porém, o modo como a história é contada faz toda a diferença. Esqueça a cena francesa, linear, calma como a narração da vovó. Os 19 atores e três figurantes correm, saltam, cantam, dançam, gritam, sobem escadas, transformam-se em fantoches, ficam nus, simulam estupros e relações homossexuais, xingam muito, cospem, dão tiros uns nos outros, cheiram cocaína com bomba de flit, entre outras performances. Excelentes músicos criam o background perfeito, do trompete solitário ao estrondoso solo de bateria.
Apesar da profusão de estímulos jogados sobre o público, nada é gratuito. Os atores não ficam nus para chamar a atenção, como nos carros alegóricos do carnaval. Apenas atuam para além do comum. Tanto, que ninguém do público se sente autorizado a enxergá-los diferentes do que são: personagens do drama que paira sobre todos nós, o drama da luta do bem contra o mal, no qual o que parece bom pode revelar-se extremamente perverso, e o mau às vezes não é como o descrevem.
“Exu é duas cabeças
Ele olha sua banda com fé
Uma é Satanás no inferno
A outra é Jesus de Nazaré”.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Chegou a hora da Virada

sexta-feira, 18 de abril de 2008
Hora de trocar preocupação por barro molhado

No começo não achei nada divertido, mas concordei em comprar os 10 kg de argila necessários para as primeiras experiências, além de pincéis, azulejos, colher, barbante, tesoura e outros apetrechos. Na primeira aula prática fiquei meia hora olhando o material e as ferramentas, sem a menor disposição para começar. Aliás, começar o quê?? Não tenho nenhuma habilidade com as mãos e nem paciência para criar formas que mereçam ser admiradas. Apesar do incentivo dos colegas, optei pela fuga. Isso mesmo: aquele monte de barro me intimidou.
Na semana seguinte, lá estava a argila me esperando e então não tive opção senão encará-la. Comecei com raiva, decidido a fazer o que fosse necessário para acabar logo com aquilo. Para meu desespero, descobri que o primeiro trabalho não utilizava nem 20% do torrão molhado pelo qual paguei R$ 20,00. E agora? A única saída era pensar em outras peças para gastar a argila o mais rapidamente possível. Mas aí, epa! não é que comecei a gostar? Sem mais nem menos, me flagrei pensando em comprar mais argila para continuar a brincadeira em casa – criar objetos, compor mosaicos, imitar formas, modelar, experimentar... enfim, reviver as tardes de sábado no ateliê da pós, em que uma preocupação se torna maior que todas, mais importante e mais urgente, expulsando as demais: a preocupação com a forma a ser dada ao barro molhado que tenho diante de mim.
Nunca pensei em ser artista. Acho que nunca serei, pois não tenho jeito para a coisa. Mas confesso que essa história de, de vez quando, trocar um monte de preocupações por um monte de barro, está me seduzindo...
A quem possa interessar: o lato sensu “Fundamentos da Cultura e das Artes” é oferecido pelo Instituto de Artes da UNESP a cada dois anos. Mais informações podem ser obtidas na página do Instituto: www.ia.unesp.br.
domingo, 30 de março de 2008
Governo nega pizza a'O Teatro Mágico

Pizza causa atrito entre Teatro Mágico e EstadoO site Vírgula também noticiou o “rebu da pizza” em Caraguá e no blog do grupo é possível ler sobre a indignação dos músicos.
Grupo diz que está sendo "boicotado" pelo governo de SP por ter pedido pizza após uma apresentação em Caraguatatuba.
Segundo a banda, os organizadores queriam que eles comessem a comida do camarim; Secretaria da Cultura nega problema.
Quem já viu O Teatro Mágico em cena sabe que os meninos fazem por merecer bem mais que pizza. Que custava pagar mais essa continha, governador Serra e secretário João Sayad? Qual a razão da mesquinhez com a rapaziada, logo vocês, políticos, fãs da tradicional iguaria italiana? Teria saído mais barato que digerir a confusão.
Questões gastronômicas à parte, confira a agenda da trupe até junho:
11/04/08 – JUIZ DE FORA/MG (Universidade Federal de Juiz de Fora)
30/04/08 – CAMPO GRANDE/MS (Av. Desemb Leão Neto do Carmo, 917)
01/05/08 – CORUMBÁ/MS (Festival América do Sul)
08/05/08 – CAMPINAS/SP (Campinas Hall)
10/05/08 – PALMAS/TO
11/05/08 – PALMAS/TO
17/05/08 – OSASCO/SP (Shopping Fantasy)
23/05/08 – RIO DE JANEIRO/RJ (Circo Voador)
25/05/08 – SANTOS/SP
30/05/08 – RIBEIRÃO PRETO/SP
31/05/08 – S. JOSÉ RIO PRETO/SP
É isso mesmo: apresentações em Sampa antes de junho, nem pensar. O mais perto que chegam é Osasco, em 17 de maio. Comente.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Open house na Vila

A 7ª edição do “Arte da Vila”, que acontece de 5 a 6 de abril na Vila Madalena, em São Paulo, confirma de vez a vocação do bairro para pólo cultural da cidade. O evento consiste numa espécie de open house conjunto de 50 ateliês localizados na Vila, durante o qual é possível não apenas conhecer a produção dos cerca de 150 artistas e artesãos participantes, como freqüentar oficinas ministradas pelos próprios e conhecer seus locais de trabalho, suas técnicas e seus macetes. Os organizadores disponibilizam um mapa com indicação dos ateliês e das ruas. O horário de visitação vai das 10h às 19h.
Veja algumas das atrações deste ano:
- Projeto Guri: promove a inclusão sócio-cultural de crianças e adolescentes com idades entre 8 a 18 anos por meio do ensino da música. Dispõe de uma lutheria, oficina de manutenção de instrumentos de corda.
- Anéis de Saturno Bijoux: os artistas Luiz Galante e Cláudia Figueiredo utilizam materiais diversos para criar coleções temáticas de bijouterias.
- Ateliê de cerâmica Ceramiche: peças utilitárias e decorativas produzidas pelas artistas Daisi Benedetti e Teresa Furuiti. Durante o evento, haverá queima de raku às 15h do sábado e às 11h do domingo.
- Espaço do Papel: papéis artesanais e reciclados, além de personalização de álbuns, cadernos, kits educativos e convites.
- Yá!: a grafiteira exporá sua street art produzida nas técnicas free hand, stencil e lambe-lambe, além de telas, roupas e outros suportes. Durante o evento, das 11h às 13h, sábado e domingo, comandará uma oficina de grafite e lambe-lambe.
- Gagare Metallica: produção artesanal de motocicletas, com exposição de peças exclusivas.
Acesse a lista completa de atrações, escolha as suas preferidas e divirta-se. Depois, volte ao blog e diga o que achou do evento.
As informações são dos organizadores.







